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chamber of secrets

chamber of secrets

24
Mai20

gavetas internas etc etc

Desde sexta que ando a organizar gavetas internas. Obriguei-me a isso, ainda que sem me obrigar. Confuso, eu sei... Basicamente eu sabia que o tinha de fazer então comecei meio que como quem não quer a coisa. E a conclusão engraçada à qual cheguei foi: não há meio de arrumar esta merda. A sério, não há. Percebi que acontece todos os anos nesta altura do ano. To-dos. Sem-pre. É uma cena minha, vá. Continuo na luta, com certeza, mas optei por deixar andar. Como disse num post anterior: "isto passa, sempre passou, sempre passará".

Entretanto fui ao supermercado a seguir ao almoço e vá lá, já colocaram álcool à venda com preços minimamente decentes. Aproveitei para comprar a máscara facial que vi uma Influencer experimentar (e gostar). É que já que ando a tratar das gavetas internas, decidi também tratar este quadro Picasso que é a minha fuça.

23
Mai20

o meu primeiro blog + a pessoa que fui

Ontem, depois de postar o último post aqui no estaminé, decidi visitar a minha primeira casinha online. Fui lá aos confins do mundo (que é como quem diz da internet) encontrar a página. Reli praticamente todos os textos. Senti vergonha de mim mesma (muita, acreditem). Eu tinha catorze anos, o que esperar de uma gaja que tinha acabado de descobrir o desamor? E depois o amor? Sim, porque não sei quanto a vocês, mas essa foi a minha ordem.

O blog (que no caso nem é aqui no sapo, é "lá na concorrência") foi criado porque era moda, tão simples quanto isso. Estamos a falar de 2011 e na altura criavam-se páginas destas e mandava-se a toda a gente o endereço. Não havia cá anonimatos, nós (pitas) queríamos era desabafar e não nos importavamos nada que vissem a nossa alma ali esfarrapada! E isso era bom porque não tinhamos medo, sabem? Era sempre a abrir, eramos 100% nós sem vergonha de deitar para fora o que nos consumia por dentro. Claro que pensei "porque é que não sou assim agora?" e realmente... Porquê?

Voltei a sentir coisas que já nem sequer me lembrava que um dia tinha sentido, vocês acreditam? E foi estranho pra caralho, deixem-me que vos diga. Senti saudades da pessoa que eu era na altura. Ok que eu era uma pita mimada, mas bolas... E o resto? Eu era divertida, todos os dias contava uma anedota diferente na escola, sabia as piadas e músicas do Quim Roscas e Zeca Estacionâncio de cor e salteado, passava o dia fora de casa, explorava Lisboa com uma amiga e uma nota de 10€ na carteira, era emocionalmente estável, usava roupas bonitas, era bronzeadíssima porque adorava a liberdade de passar a manhã na praia e a tarde em passeios, os aniversários eram passados a jogar bowling e snooker (e eu nunca soube jogar essa merda mas também nunca me cortei!). Era tudo diferente... A vida tinha outro sabor.

Na altura em que escrevia para esse blog, eu dizia (não lá, mas às pessoas) que nunca tirava a minha armadura. E isso era tão verdade quanto eu estar a escrever isto agora. Eu já tinha entendido que o mundo não era um lugar fácil e que se não me protegesse, ninguém mais o faria por mim. Então eu protegia-me com tudo, e por isso para muitos eu era a antipática, a egoísta, a que se estava a cagar. E não minto, isso até correspondia à verdade. Eu fiz imensa merda e magoei muitas pessoas. Cheguei a pensar que algo estava errado comigo, que eu não tinha sentimentos... Nada me abalava, nada me fazia chorar. Eu era pedra. Eu era despreocupada. Eu era a que virava costas e não pensava mais no assunto. E porra, o que eu não dava para voltar a ser assim.

Tenho saudades dos grupos no MSN. Das noites em conversas até às duas da manhã. Das saídas simples ao shopping. De rir alto. De não ter vergonha de rir alto. De ser louca e ter amigas loucas. Tenho saudades de me descobrir a mim e ao meu coração. De não me preocupar com o dia de amanhã, com as contas, com o mundo no geral. Tenho saudades do verão, que me sabia tão melhor do que agora. De pensar "como é que eu irei estar daqui a 10 anos?" mas sem me importar muito com isso, só mesmo pelo gosto de imaginar uma vida (que acabou por não corresponder à realidade). Tenho saudades de momentos pequeninos que vivi com pessoas que já não estão na minha vida. De pessoas que já não estão na minha vida.

Ninguém nos prepara para a vida. Eu sei, eu sei... Dizem-nos que aquela é a melhor fase da vida, mas nós nunca acreditamos. Well, guess what? Agora sou eu a dizer aos miúdos "aproveita que esses são os melhores anos da tua vida" e a torcer de coração para que eles aproveitem mesmo.

Se eu tivesse de dar um conselho a uma miúda de treze/catorze, diria com certeza para ela ir viver. "Ah, mas tem tempo" não, não tem. O tempo é agora! Diria-lhe para não passar o dia a estudar mas sim, de facto, viver. Para descobrir sítios novos, conhecer pessoas novas. Para se apaixonar... Muito. Para não ter medo de ter o coração partido, afinal de contas isso vai acontecer de qualquer maneira! Diria também para não ter vergonha do corpo e aproveitar o dia de praia com os amigos. Que as ideias loucas vão dar memórias do caraças. Que as melhores fotos são as sem filtro e que melhor do que um tik tok estúpido com amigas é uma ida ao cinema/parque/salão de jogos com elas. E diria, sobretudo, que não vale a pena fazer planos. A vida ri-se dos planos que fazemos. "Só vai".

20
Mai20

hoje

Hoje não sei o que quero... Não sei o que sou. Não sei se estou certa ou errada, nem sequer sei se fiz escolhas boas. Não sei se tudo isto não passa de sinais que eu finjo não ver. Não sei se há futuro.

Hoje não sei, não sei, não sei. Alguém sabe?

19
Mai20

telescola e iluminados

Então não é que a professora de um rapazito que eu conheço ontem mandou um e-mail aos putos com uma carrada de trabalhos e no fim ainda teve a lata de os mandar ir passear quando acabassem, sugerindo que fossem a um museu já que era o Dia Internacional dos Museus? Quer dizer, manda trabalhos e mais trabalhos para as crianças fazerem, e no fim ainda goza assim com elas. Ó pra ela, hã!

Sei que isto é novidade para todos, mas se não sabem, não inventem! A telescola é uma verdadeira vergonha. Há uma falta de organização tremenda e de respeito então nem vou falar.

10
Mai20

vocês não estão cansados desta porcaria?

Porque eu estou!

Tenho pena de ter desistido sem tentar. De ter tido preguiça, de não querer lutar, de simplesmente ter mandado esse "sonho" para trás das costas. De não ter contribuído para a justiça. Só que sabem, nem tudo por lá é como parece. A justiça é injusta. No entanto, tenho ainda mais pena de não ter tentado mudá-la. Sei que seria difícil, mas tantos por aí também não estão, neste momento, a tentar? Tenho pena de não me ter esforçado para chegar onde eu realmente queria: poder dar voz a quem não tem, poder vingar quem precisa, poder mandar para a prisão quem merece. Mas não era para ser. Então espero que todos os que neste momento estudam ou executam essa profissão, que o façam com consciência de que este país só vai avançar quando os filhos da puta apodrecerem na cadeia (sem acesso a playstations, televisões e telemóveis, como têm), quando as crianças e os animais estiverem a salvo e todas as pessoas decentes tiverem paz.

Direitos Humanos a querer abater um cão que salva uma criança de uma violação? Foda-se, estão a gozar com esta merda? Avancem mas é com a castração química e física para todos os cabrões que tiram proveito de outro alguém! Eu sou mulher, sei o que é ser assediada e pior... Fisicamente abusada. E não admito que mandem um violador para a prisão por apenas cinco anos!

Pais que matam filhos? Ou filhos que matam pais? Ou vá, pessoas que matam pessoas? Montes de merda que deixam cães, gatos e companhias a morrer à fome?

Atirem flores aos criminosos e pratiquem a Segunda Oportunidade, e a Terceira... E a Vigésima também, porque não? Ah, e não se esqueçam de aplicar penas de apenas dez anos, mas só a quem não tem nome... Porque quem tem, tipo João Moura, por exemplo, pode passar despercebido. A pena máxima existe só para ser enfeite e a prisão só serve para quem não é suficientemente conhecido.

Vocês não estão cansados? Ou só se vão cansar quando for a vossa filha a ser violada? Ou o vosso avô a ser morto? Ou o vosso cão a ser sacrificado porque salvou alguém?

20
Abr20

sonhos esquisitos

Quem nunca teve um, não é verdade?

Esta noite sonhei que dava à luz. Logo assim, pumbas! Sonhei com um parto natural... Anestesia é para pussies, malta. Sonhei com um menino de cabelo preto. Engraçado porque sempre achei que se eu fosse mãe, seria de um menino.

19
Abr20

déjà vu

Eu já me vi nesta situação antes. E eu que achava nunca mais cá voltar... O Universo deve estar a rir-se de mim agora.

Sinto a tristeza. A incerteza. A dúvida. Ah, sinto a puta da escuridão que se mistura com o meu sangue e circula pelas minhas veias. Não as deixes chegar à cabeça... Como se fosse fácil. Pedir isso é como pedir para o sol não aparecer num dia de verão. Vocês e as vossas facilidades dão-me graça. E eu possivelmente sou engraçada com as minhas complicações.

Sabem quando alguém vos diz algo que magoa tanto, que até o sentem fisicamente? É como se a garganta fechasse e inchasse. Não estou a falar da vontade de chorar... É parecido, mas é outra coisa. É físico, dói. Ou será que eu tenho a mente super coordenada com o corpo e sinto dor física quando me dói emocionalmente?

Ok, amanhã já estou fina. Isto passa. Sempre passou... Sempre passará. E se não passar, passo eu por cima. Só não me fodam com as vossas frases feitas de que vai ficar tudo bem. Vai, eu sei que vai! Mas enquanto não fica custa pra caralho e não podemos ignorar isso.

Sinto que não sei como nem para onde correr. Como se todas as pessoas me fechassem a porta na cara quando o lobo mau está atrás de mim para me comer. É osso, mas ele que venha.

Epá... E se é o que sinto, porque não haveria eu de falar disto? O meu antigo cantinho não funcionou por isso mesmo... Porque já não me sentia "em casa" lá. Porque me rodeei de coisas que não faziam sentido para mim. Porque positividade é bom e faz falta, mas nem sempre me apetece ser positiva! Nem sempre tenho energia para isso! Nem sempre dá para colocar um sorriso na cara e sair por aí atrás de borboletas! Isso é sequer verdadeiro? Aqui, neste novo cantinho, é vida real. Aqui eu quero é expor os meus sentimentos, as minhas aflições, as minhas neuras. Porque a escrita é terapêutica sim... Mas há muito que para mim deixou de ser algo que dava prazer e passou a ser uma necessidade! E se não deu certo antes, foi porque me "obriguei" a conter-me nas coisas. Só que agora não mais. E se estão à procura de alguém que escreva contos de fadas, procurem noutro sítio. Aqui é conto de falhas e não peço desculpa por isso ou por ser quem (e como) sou.

16
Abr20

de volta ao passado...

A minha mãe decidiu fazer uma quiche de delícias do mar e espinafres. Eu adoro delícias do mar, espinafres é que pronto... É daquelas cenas que eu acredito piamente que servem à entrada do inferno.

Entretanto à tarde fomos com a cachorra à rua e a minha mãe pediu que levassemos duas fatias da quiche a uma vizinha e amiga de longa data. Ora, está bem! Antes mesmo de passarmos a rua já estava a vizinha, que mora num terceiro andar, a lançar um saco azul pela janela através de um anzol. Eu coloquei o saquinho com as duas fatias de quiche dentro do saco azul dela e ela lá puxou o anzol de volta.

Adorei, relembrou-me a minha infância pois era o que se fazia na minha casa sempre que caía uma peça de roupa do estendal. E eu achava sempre imensa graça...